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domingo, 21 de novembro de 2010

Canção para ninar bacantes



Com olhos bem abertos para a vida,
viram um reino em tudo:
no sapo, no mato alto,
na teia de aranha –a cornucópia, a abundância do tempo –
pendurada no teto
E mesmo que as mãos se queimassem
mesmo que houvesse vento
as musas se protegiam
rindo muito noite adentro
uma bebia cais, a outra bebia espuma,
a terceira bebia porto
uma era fé, outra luz
a terceira uma ira plena de cinzas
Estreladas em noite alta
eram três marias sanguíneas
de hábitos muito azuis