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segunda-feira, 1 de julho de 2013
Clítia
Estou atada a um destino
como a um rochedo
Por séculos serei um girassol
acorrentado à luz
Amigo Prometeu, tu que roubaste
o fogo dos deuses para colocá-lo
no coração dos homens,
liberta agora meus olhos dessa escravidão
Preciso curar-me, amigo,
dessa claridade
Quero sombras para drenar
essa luz que não me dá sossego
Ensina-me um jeito de abrandar
o fogo e de expulsá-lo
Preciso de trevas para o meu desejo
sábado, 15 de junho de 2013
A fiandeira
fábrica de tecidos século XIX
Eu fiaria um manto inteiro hoje
enquanto você dorme
Há lembranças que não tenho onde guardar
e que só depositaria bem numa fogueira
Não há memória, nem nomes,
nem arcas, nem caixas
que possam conter tanto furor
Eu fiaria um manto inteiro
mas um manto não serve
Poderia inventar lendas
narrar um sonho aos marinheiros
mas nem lendas, nem sonhos,
nem marinheiros poderiam exprimir
o que vivi
Eu fiaria um manto inteiro hoje
mas não serve um manto
não serve enterrar segredos numa ilha
e esperar o temporal passar
Há dias em que os raios são a única saída
Eu fiaria um manto inteiro hoje
enquanto você dorme
Há lembranças que não tenho onde guardar
e que só depositaria bem numa fogueira
Não há memória, nem nomes,
nem arcas, nem caixas
que possam conter tanto furor
Eu fiaria um manto inteiro
mas um manto não serve
Poderia inventar lendas
narrar um sonho aos marinheiros
mas nem lendas, nem sonhos,
nem marinheiros poderiam exprimir
o que vivi
Eu fiaria um manto inteiro hoje
mas não serve um manto
não serve enterrar segredos numa ilha
e esperar o temporal passar
Há dias em que os raios são a única saída
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