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domingo, 3 de maio de 2015

Era

O que um dia foi ternura e canto
resultou em bruma
aquela que foi bela e tua
em pele, em pelo, em carne, em alma
hoje é fantasma
O que era febre e entrega alucinada
hoje mendiga na vidraça

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Burka

Cecília Costa, ArtRio/2011

Essa estrangeira sem nome, sem rosto, sem riso
disfarça, mas me olha, de dentro do seu abismo
Ela viaja comigo: sombra calada, monja
meio fantasma, meio ferida
Sobrevivente de nada, queimada, ardida
Sob véus calcada, sob véus contida
Me prendendo também
em sua cripta