Teus passos, filhos do silêncio,
voltam-se lentos e sagrados
para o leito da minha vigília
passos mudos e gelados
Pessoa pura, sombra divina
como se detêm doces esses passos
Deuses! Todos os dons que adivinho
vêm a mim sobre teus pés nus
Se teus lábios se adiantam
e se preparam
para apaziguar meus pensamentos
com o conforto de um beijo
Digo: não te apresses nesse gesto terno
doçura de ser e não ser
pois eu vivi de te esperar
e meu coração precisa dos teus passos
* Tradução livre a partir do poema “Les pas”( Os passos), de Paul Valéry(1871-1945)
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quinta-feira, 20 de março de 2014
segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014
Zarabatanas
Ninguém esperava mais
por esses cabelos imensos
por esses olhos de fera
esse meu ar de arco e flecha
Zarabatanas eu faço
com mãos de índio bravo
ponho o curare na ponta
paraliso os ventos errados
e só atraio belos raios
por esses cabelos imensos
por esses olhos de fera
esse meu ar de arco e flecha
Zarabatanas eu faço
com mãos de índio bravo
ponho o curare na ponta
paraliso os ventos errados
e só atraio belos raios
domingo, 26 de janeiro de 2014
Praia de Ponta Negra
" Nada, nada, nadador...”
Jorge de Lima
Nadei tanto, tanto, tanto
fosse noite ou fosse dia
anfíbio eu era
metade água, outra terra
Sobrevivi porque contei tudo ao mar
ele sabe como respiro
guardei lá meus gritos
e misturei minhas lágrimas a seus sais
Fui queimada por algas
e, alentada pela espuma leve,
dei minha dor às ondas
Jorge de Lima
Nadei tanto, tanto, tanto
fosse noite ou fosse dia
anfíbio eu era
metade água, outra terra
Sobrevivi porque contei tudo ao mar
ele sabe como respiro
guardei lá meus gritos
e misturei minhas lágrimas a seus sais
Fui queimada por algas
e, alentada pela espuma leve,
dei minha dor às ondas
domingo, 21 de outubro de 2012
Zarabatanas
Jason Martin
Ninguém esperava mais
por esses cabelos imensos
por esses olhos de fera
esse meu ar de arco e flecha
Zarabatanas eu faço
com mãos de índio bravo
ponho o curare na ponta
paraliso os ventos errados
e só atraio belos raios
Ninguém esperava mais
por esses cabelos imensos
por esses olhos de fera
esse meu ar de arco e flecha
Zarabatanas eu faço
com mãos de índio bravo
ponho o curare na ponta
paraliso os ventos errados
e só atraio belos raios
terça-feira, 25 de setembro de 2012
Prisões
Antes eu era o incêndio
agora faço seguro contra fogo
contra roubos
Eu mesma era furacão
eu mesma roubava
agora apaziguo tudo e tranco
Antes eu era as perdas
agora sou vista pelo bairro, precavida,
comprando cadeados sob medida
agora faço seguro contra fogo
contra roubos
Eu mesma era furacão
eu mesma roubava
agora apaziguo tudo e tranco
Antes eu era as perdas
agora sou vista pelo bairro, precavida,
comprando cadeados sob medida
sábado, 15 de outubro de 2011
Valquíria
Tua alegria está rondando meus mistérios
na penumbra em que estamos
escuto teus passos docemente
Pisas sonhos escuros
vences os fogos noturnos
e um pai te desafia com uma lança
Finjo que estou ferida, adormecida
aguardo que ouses tocar-me e que me acordes
Para que eu possa cavalgar
dentro da tua vida
quarta-feira, 7 de setembro de 2011
Retratos dos ancestrais
Não idolatro rostos que abandonam
Deixarei que partam
Encherei um navio de emigrantes
os que negaram, os que fugiram
os que sufocaram e calaram
Todos, todos convocados
para o navio fantasma
Todos, todos vão embora
Velhos desde o império
Gordos homens sobre cavalos
e mulheres muito tristes
Odeio loucamente essa parede
onde eles jazem
Muros contra minha liberdade
Deixarei que partam
Encherei um navio de emigrantes
os que negaram, os que fugiram
os que sufocaram e calaram
Todos, todos convocados
para o navio fantasma
Todos, todos vão embora
Velhos desde o império
Gordos homens sobre cavalos
e mulheres muito tristes
Odeio loucamente essa parede
onde eles jazem
Muros contra minha liberdade
domingo, 21 de agosto de 2011
Invasão ibérica
A Espanha e seus campos de girassóis
suas oliveiras, seus rios
seus árabes e catedrais
aportaram em mim e te querem
Todas as forças de sua arquitetura
suas casas mediterrâneas, suas torres medievais
as touradas sangrentas de Sevilha
os ciganos incríveis de Granada
Por todo lado essa prece:
O meu amor é esse país inteiro te esperando
suas oliveiras, seus rios
seus árabes e catedrais
aportaram em mim e te querem
Todas as forças de sua arquitetura
suas casas mediterrâneas, suas torres medievais
as touradas sangrentas de Sevilha
os ciganos incríveis de Granada
Por todo lado essa prece:
O meu amor é esse país inteiro te esperando
quarta-feira, 17 de agosto de 2011
Burka
Cecília Costa, ArtRio/2011
Essa estrangeira sem nome, sem rosto, sem riso
disfarça, mas me olha, de dentro do seu abismo
Ela viaja comigo: sombra calada, monja
meio fantasma, meio ferida
Sobrevivente de nada, queimada, ardida
Sob véus calcada, sob véus contida
Me prendendo também
em sua cripta
Essa estrangeira sem nome, sem rosto, sem riso
disfarça, mas me olha, de dentro do seu abismo
Ela viaja comigo: sombra calada, monja
meio fantasma, meio ferida
Sobrevivente de nada, queimada, ardida
Sob véus calcada, sob véus contida
Me prendendo também
em sua cripta
domingo, 1 de maio de 2011
O pedido da fonte
Se sabes que sou uma fonte
bebe logo dessa água
Tenho sede que me bebas
tenho sede que me leves
Na taça da tua boca
nos rumos da tua vida
bebe logo dessa água
Tenho sede que me bebas
tenho sede que me leves
Na taça da tua boca
nos rumos da tua vida
terça-feira, 8 de março de 2011
Oração
Agradeço esse dia e todas as suas sombras
e o que me tocou como foice
e a face delicada que mostrei
Agradeço esse dia e todas as suas marcas
e o que ficou na encosta e o que restou nos olhos
Agradeço essa febre
o riso que espelhei sobre as águas
a beleza que busquei
e a vida que desejei com tanta força
e o que me tocou como foice
e a face delicada que mostrei
Agradeço esse dia e todas as suas marcas
e o que ficou na encosta e o que restou nos olhos
Agradeço essa febre
o riso que espelhei sobre as águas
a beleza que busquei
e a vida que desejei com tanta força
sábado, 4 de dezembro de 2010
Veraneio
Ele a cobria
com a brisa úmida da tarde
e ela saía assim
toda feita de brisa
Abençoada pelos olhos que mentiam
fingindo não ver o que era frágil
as saudades que iam nascer
por baixo daqueles cabelos
Saía de suas mãos com a força de uma estrela
Ninguém podia ver
os joelhos feridos
da menina feliz que ele inventava
naquelas tardes febris de veraneio
com a brisa úmida da tarde
e ela saía assim
toda feita de brisa
Abençoada pelos olhos que mentiam
fingindo não ver o que era frágil
as saudades que iam nascer
por baixo daqueles cabelos
Saía de suas mãos com a força de uma estrela
Ninguém podia ver
os joelhos feridos
da menina feliz que ele inventava
naquelas tardes febris de veraneio
sexta-feira, 24 de setembro de 2010
Praia de Ponta Negra
" Nada, nada, nadador...”
Jorge de Lima
Nadei tanto, tanto, tanto
fosse noite ou fosse dia
anfíbio eu era
metade água, outra terra
Sobrevivi porque contei tudo ao mar
ele sabe como respiro
guardei lá meus gritos
e misturei minhas lágrimas a seus sais
Fui queimada por algas
e, alentada pela espuma leve,
dei minha dor às ondas
Jorge de Lima
Nadei tanto, tanto, tanto
fosse noite ou fosse dia
anfíbio eu era
metade água, outra terra
Sobrevivi porque contei tudo ao mar
ele sabe como respiro
guardei lá meus gritos
e misturei minhas lágrimas a seus sais
Fui queimada por algas
e, alentada pela espuma leve,
dei minha dor às ondas
domingo, 29 de agosto de 2010
Prisões
domingo, 18 de julho de 2010
A terra e o fogo
Terra úmida é o que sou
E tua voz me fecunda
Abre fendas em mim
Por onde os meninos vão nascer
Sou essa planície deitada
Sob o vento forte
Esse vale que invades
Sou domínio teu
Tua carne
Cera sob o teu poder
Sou o que queres que eu seja
Enxame, cardume, aves
Noite, noite, noite
que a tua luz esmaga sem vencer
Poema publicado na revista Geologia para poetas. Casa da Ciência/UFRJ.Rio de Janeiro.2009. Iniciativa da poeta e professora de Geologia Maria Dolores Wanderley.
Mais poemas: www.palavrarte.com/equipe/equipe_iracema.php
E tua voz me fecunda
Abre fendas em mim
Por onde os meninos vão nascer
Sou essa planície deitada
Sob o vento forte
Esse vale que invades
Sou domínio teu
Tua carne
Cera sob o teu poder
Sou o que queres que eu seja
Enxame, cardume, aves
Noite, noite, noite
que a tua luz esmaga sem vencer
Poema publicado na revista Geologia para poetas. Casa da Ciência/UFRJ.Rio de Janeiro.2009. Iniciativa da poeta e professora de Geologia Maria Dolores Wanderley.
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