Vou-me embora pra Pasárgada
lá sou amiga da rainha
e tenho o homem que quero
na cama que escolherei
sou amiga das medeias, das medusas e das bacantes
Vou-me embora pra Pasárgada
lá as mulheres são livres
tanto as mães quanto as sem filhos
tanto as que amam mulheres
quanto as que amam rapazes
tanto as que amam os dois
lá os musos são de verdade e descem de Marte
para a terra, lá nem amor platônico tem
é tudo mesmo na sacanagem
Vou- me embora pra Pasárgada
lá as putas não são tristes
como as de Gabriel García Marquez
lá maria transa mesmo com o anjo gabriel
e josé assume tudo
lá existem os josés, psicanalistas e pais incríveis,
vou me embora pra Pasárgada
lá sou amante até da rainha
e posso voar de parapente
me desculpem Manuel Bandeira e Gabriel García Marquez
adoro ler vocês
mas amo mesmo é essa nova Pasárgada que inventei
segunda-feira, 15 de setembro de 2014
Um poema de Manuel Bandeira
Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada
Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconseqüente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive
Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconseqüente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive
E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d'água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d'água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada
Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar
E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
— Lá sou amigo do rei —
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada.
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
— Lá sou amigo do rei —
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada.
terça-feira, 9 de setembro de 2014
segunda-feira, 8 de setembro de 2014
Desenhos e teletransportes
eram cidades costeiras
mas seus habitantes nem precisavam de mar
podiam ir com navios inventados
fictícios barcos
eram cidades costeiras, costumeiras
de maresia e brisa
trilhas, rios, portos rascunhados
e seus moradores sonhavam
e iam assim a todo lugar
mas seus habitantes nem precisavam de mar
podiam ir com navios inventados
fictícios barcos
eram cidades costeiras, costumeiras
de maresia e brisa
trilhas, rios, portos rascunhados
e seus moradores sonhavam
e iam assim a todo lugar
domingo, 7 de setembro de 2014
Ouro Preto em chamas
abrigar-se nessa briga
entre pedaços e cacos
de telhas, janelas, vidraças
desabrigar-se nessa casa imensa
cremada, incendiada
sem voz nem gente
madeiras ardendo
pedras preciosas perdidas
bombeiros vieram de Mariana e BH
movidos a terra, água, fogo e ar
fogueira imensa acesa na praça
dores, mágoas,
escravos, escravas, correntes,
crimes, senhores,
senhoras, perversidades
maldades,
vidas passadas
há séculos
almas queimadas
em labaredas altas
(em memória do incêndio de 2003 no Casarão do Pilão)
sábado, 6 de setembro de 2014
Loja de Mulheres
labirinto que sigo nessa cidade
plena de tantas outras
tecidos e mais tecidos entrelaçados
becos, mercados
lojas de chapéus, botas, saias, brechós
O meu desejo de ancorar ali
na vitrine como um manequim
e esperar por todos os que passam
amá-los todos disfarçada
nesse corpo de medusa sem cabeça nem braços
nesse vestido exposto com seu preço
metade estátua, metade mulher
metade blusa, metade sandália
sou essa fêmea de acrílico lírico na calçada
plena de tantas outras
tecidos e mais tecidos entrelaçados
becos, mercados
lojas de chapéus, botas, saias, brechós
O meu desejo de ancorar ali
na vitrine como um manequim
e esperar por todos os que passam
amá-los todos disfarçada
nesse corpo de medusa sem cabeça nem braços
nesse vestido exposto com seu preço
metade estátua, metade mulher
metade blusa, metade sandália
sou essa fêmea de acrílico lírico na calçada
sexta-feira, 5 de setembro de 2014
Escolha
" Derrubando palavras se chega ao silêncio:
à terceira solidão, a escolhida."
Pablo Neruda
Sem filhos viveram
Lota e Bishop
livres, viajantes, soltas
permitidas uma à outra
num amor de poucas
Solidão vivida, inteira, escolhida
moças raras, voos rasantes,
intensas, amantes, revoltas
à terceira solidão, a escolhida."
Pablo Neruda
Sem filhos viveram
Lota e Bishop
livres, viajantes, soltas
permitidas uma à outra
num amor de poucas
Solidão vivida, inteira, escolhida
moças raras, voos rasantes,
intensas, amantes, revoltas
segunda-feira, 1 de setembro de 2014
L'amour entre tours et tous
Invadi seus passos na calçada
entre a liberdade e a calma
no caminho que fiz até você
o que se ilumina é breve, leve
aceita torres como mirantes
não como calabouços
nem quedas nem prisões
mora comigo uma noite só
e vai embora
certo de que o amor não é uma pessoa, não se prende, não é anel nem arame
nem tem nome próprio, nem fome de um único soldado civil ou trapezista
nem muro, nem cerca, nem furo de reportagem, nem filhas, nem família
mas está em toda parte, solto,
raio que vem por dentro e por fora e atinge todos
para além de quaisquer dois e nós,
obsessões, arranhões
e paranoias
não precisa de bagagens nem de escola
aceita ser miragem entre faróis, ilhas, milhas
mil vezes sem dor quando decola, não cola, descola
sem amarrações, não gruda, não controla
amor: miragem e saudade entre antenas parabólicas
astros, satélites, cartas de tarot, rainha de copas
jogo, fogo: onde pouco já é muito
e onde às vezes muito é muito pouco
entre a liberdade e a calma
no caminho que fiz até você
o que se ilumina é breve, leve
aceita torres como mirantes
não como calabouços
nem quedas nem prisões
mora comigo uma noite só
e vai embora
certo de que o amor não é uma pessoa, não se prende, não é anel nem arame
nem tem nome próprio, nem fome de um único soldado civil ou trapezista
nem muro, nem cerca, nem furo de reportagem, nem filhas, nem família
mas está em toda parte, solto,
raio que vem por dentro e por fora e atinge todos
para além de quaisquer dois e nós,
obsessões, arranhões
e paranoias
não precisa de bagagens nem de escola
aceita ser miragem entre faróis, ilhas, milhas
mil vezes sem dor quando decola, não cola, descola
sem amarrações, não gruda, não controla
amor: miragem e saudade entre antenas parabólicas
astros, satélites, cartas de tarot, rainha de copas
jogo, fogo: onde pouco já é muito
e onde às vezes muito é muito pouco
domingo, 31 de agosto de 2014
sábado, 30 de agosto de 2014
sexta-feira, 29 de agosto de 2014
Blue Moon
Roberto Carlos, é o seguinte:
você está salvo
agora sou eu que preciso me salvar
passo a tarde inteira ouvindo
esse programa Roberto Carlos Especial
na rádio Nordeste
Se eu não ficar em casa,
saio na rua e beijo a Ribeira inteira
homem, mulher, esposa, rameira
todas as criaturas humanas e desumanas
pedra, carvalho, fogueira, geleira, geladeira
fico pedindo para a lua
desce, desce, desce
Eu sou da terra
e só na terra me sinto bem
sei que garota igual a você
na lua não tem
você está salvo
agora sou eu que preciso me salvar
passo a tarde inteira ouvindo
esse programa Roberto Carlos Especial
na rádio Nordeste
Se eu não ficar em casa,
saio na rua e beijo a Ribeira inteira
homem, mulher, esposa, rameira
todas as criaturas humanas e desumanas
pedra, carvalho, fogueira, geleira, geladeira
fico pedindo para a lua
desce, desce, desce
Eu sou da terra
e só na terra me sinto bem
sei que garota igual a você
na lua não tem
quinta-feira, 21 de agosto de 2014
New Game: Afrodite virou prostituta de jornal
Verso é enigma
nada tem de descarado
nada tem de fácil
nem de geográfico
é esfinge, é mito
nele posso ser puta, vadia
bruta e real
cada programa mil reais
com o direito a tudo que sei
e não sei há dez mil anos atrás
encontro loucos, doidos, degradados
degenerados, homens, mulheres, travestis
não faço distinção de idade
sexo, carruagem ou carroça
com o verso: pluma, nuvem, incêndio e gás
se goza muito mais
nada tem de descarado
nada tem de fácil
nem de geográfico
é esfinge, é mito
nele posso ser puta, vadia
bruta e real
cada programa mil reais
com o direito a tudo que sei
e não sei há dez mil anos atrás
encontro loucos, doidos, degradados
degenerados, homens, mulheres, travestis
não faço distinção de idade
sexo, carruagem ou carroça
com o verso: pluma, nuvem, incêndio e gás
se goza muito mais
domingo, 17 de agosto de 2014
"Desencanto"
" Três metamorfoses, nomeio-vos, do espírito: como o espírito se torna camelo e o camelo, leão e o leão, por fim, criança. " Assim Falou Zaratustra. Friedrich Nietzsche
poema dedicado a Manuel Bandeira
Sou uma mulher vulgar
e faço versos como quem fode
sentindo prazer e dores
Eu faço versos como quem cospe
no bicho morto no meio-fio
sentindo nojo sentindo encanto
Eu rezo terços
e chupo lâminas
E faço versos como quem goza
e gozo como quem glosa
poema dedicado a Manuel Bandeira
Sou uma mulher vulgar
e faço versos como quem fode
sentindo prazer e dores
Eu faço versos como quem cospe
no bicho morto no meio-fio
sentindo nojo sentindo encanto
Eu rezo terços
e chupo lâminas
E faço versos como quem goza
e gozo como quem glosa
sábado, 16 de agosto de 2014
Um poema de Manuel Bandeira
Desencanto
Eu faço versos como quem chora
De desalento. . . de desencanto. . .
Fecha o meu livro, se por agora
Não tens motivo nenhum de pranto.
Meu verso é sangue. Volúpia ardente. . .
Tristeza esparsa... remorso vão...
Dói-me nas veias. Amargo e quente,
Cai, gota a gota, do coração.
E nestes versos de angústia rouca,
Assim dos lábios a vida corre,
Deixando um acre sabor na boca.
- Eu faço versos como quem morre.
Eu faço versos como quem chora
De desalento. . . de desencanto. . .
Fecha o meu livro, se por agora
Não tens motivo nenhum de pranto.
Meu verso é sangue. Volúpia ardente. . .
Tristeza esparsa... remorso vão...
Dói-me nas veias. Amargo e quente,
Cai, gota a gota, do coração.
E nestes versos de angústia rouca,
Assim dos lábios a vida corre,
Deixando um acre sabor na boca.
- Eu faço versos como quem morre.
quinta-feira, 14 de agosto de 2014
O carteiro e a poeta
Não quero deixar de conhecer
Pasárgada, Shangri-lá e Atlântida
ainda bem que daqui de casa
posso ir até lá com asas
ou a nado
vou pela rota contrária
oceano pacífico e feroz
ouço todo dia sua voz
antiga e total
nem preciso de satélite
lá mesmo não preciso chegar
e são tantas cartas, contas, telegramas
há mil anos e séculos
e esperei tanto, tanto, tanto
aqui nesse Rio de Janeiro
que acabei me apaixonando pelo carteiro
Pasárgada, Shangri-lá e Atlântida
ainda bem que daqui de casa
posso ir até lá com asas
ou a nado
vou pela rota contrária
oceano pacífico e feroz
ouço todo dia sua voz
antiga e total
nem preciso de satélite
lá mesmo não preciso chegar
e são tantas cartas, contas, telegramas
há mil anos e séculos
e esperei tanto, tanto, tanto
aqui nesse Rio de Janeiro
que acabei me apaixonando pelo carteiro
terça-feira, 12 de agosto de 2014
Agosto
Como um hiato às voltas com escuro
pulsa o meu poema
e vibra frio vidro estilhaçado
numa ameaça de espanto que me ronda
Como uma espécie de arma, como um músculo
o meu poema me cerca
com gargalhadas de doido
com esperanças de cura
Ele me assusta me segura me defende
com uma mão de fantasma
contra a morte
O meu poema é um cio, uma dor que me cuida
um cão, uma mãe que canta
um corpo moreno e luta
pulsa o meu poema
e vibra frio vidro estilhaçado
numa ameaça de espanto que me ronda
Como uma espécie de arma, como um músculo
o meu poema me cerca
com gargalhadas de doido
com esperanças de cura
Ele me assusta me segura me defende
com uma mão de fantasma
contra a morte
O meu poema é um cio, uma dor que me cuida
um cão, uma mãe que canta
um corpo moreno e luta
segunda-feira, 11 de agosto de 2014
lucila
a palavra ama
a palavra cora
a palavra lama
a palavra chora
a palavra goza
a palavra cama,
lucila,
luz que oscila
a palavra te chama
a palavra cora
a palavra lama
a palavra chora
a palavra goza
a palavra cama,
lucila,
luz que oscila
a palavra te chama
sábado, 9 de agosto de 2014
Invenção de Eurídice
Havia os cabelos de Eurídice incendiando a praia
e os homens com suas redes esperando
Orfandades arrastadas sobre a areia
era assim que vinham os peixes
era assim que as palavras vinham,
sem ar,
com olhos vitrificados
Havia os cabelos de Eurídice soltos
como velames
cortando os ventos
semeando bichos que se alastravam
Eram quase mãos, os cabelos de Eurídice,
tentando agarrar alguma coisa
buscando alcançar uma alegria, um êxtase,
uma dor que fosse
qualquer coisa quebrada,
algum resto, um destroço
ou algas e conchas dentro das ondas
e os homens com suas redes esperando
Orfandades arrastadas sobre a areia
era assim que vinham os peixes
era assim que as palavras vinham,
sem ar,
com olhos vitrificados
Havia os cabelos de Eurídice soltos
como velames
cortando os ventos
semeando bichos que se alastravam
Eram quase mãos, os cabelos de Eurídice,
tentando agarrar alguma coisa
buscando alcançar uma alegria, um êxtase,
uma dor que fosse
qualquer coisa quebrada,
algum resto, um destroço
ou algas e conchas dentro das ondas
sexta-feira, 8 de agosto de 2014
Mickey
" Dieu parle dans la calme plus haut
que dans la tempête"
Adam Mickiewirkcz( 1734-1855)
Que o Mickey era feiticeiro
só depois eu fui saber
Jodorowsky
lhe ensinou
que ratos e ratazanas,
que temos dentro da gente ,
podem ser curados com sal, lápis e cal
Que a Minnie enfeitiçava
eu também desconhecia
encontrei em sua casa uma placa:
se for preciso tome melhoral
mas consulte a senhora Minnie
se quiser melhorar o seu astral
Cosmogonias distopicas: Marcelo Gandhi
que dans la tempête"
Adam Mickiewirkcz( 1734-1855)
Que o Mickey era feiticeiro
só depois eu fui saber
Jodorowsky
lhe ensinou
que ratos e ratazanas,
que temos dentro da gente ,
podem ser curados com sal, lápis e cal
Que a Minnie enfeitiçava
eu também desconhecia
encontrei em sua casa uma placa:
se for preciso tome melhoral
mas consulte a senhora Minnie
se quiser melhorar o seu astral
Cosmogonias distopicas: Marcelo Gandhi
quinta-feira, 7 de agosto de 2014
Mariposas
segundo estamira
a pessoa pode estar em vários lugares
e tempos
e falar várias línguas de uma vez
estou levando alfajor para a turquia
queijo de caicó para a bahia
schieben lieben leben
no daña las superficies
elimina olores
somos productos de la naturaleza
the crowning glory
everest is climbed
capito, capitu, amigo?
a pessoa pode estar em vários lugares
e tempos
e falar várias línguas de uma vez
estou levando alfajor para a turquia
queijo de caicó para a bahia
schieben lieben leben
no daña las superficies
elimina olores
somos productos de la naturaleza
the crowning glory
everest is climbed
capito, capitu, amigo?
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