Ao meu redor cresce verde a lavoura
e eu sou de seca palha
Ao meu redor homens se movem e trabalham
e eu resisto imóvel ao meu ofício triste
Estou cercado de arame por toda parte
por toda parte assusto pássaros que amo
Meus braços estão abertos para o espanto
não para o trabalho ou abraço
Meu corpo de palha seca
nunca sentiu a volúpia dos bichos
Vivo abismado e só
escancarado sob a luz dos astros
quinta-feira, 29 de janeiro de 2015
quinta-feira, 15 de janeiro de 2015
O chafariz
Parece que saí de algum sonho, de alguma caverna
de algum lugar inóspito e aquecido
Imobilizado feito os corpos de Pompeia
virei uma estátua de cinza
Sou uma miragem entre os edifícios
mas tenho a realidade dos fantasmas
a errância dos bardos
a necessidade dos mendigos
Minha imobilidade é um artifício
A todo tempo oscilo
entre a inércia do meu corpo
e a fluidez do rio que abrigo
de algum lugar inóspito e aquecido
Imobilizado feito os corpos de Pompeia
virei uma estátua de cinza
Sou uma miragem entre os edifícios
mas tenho a realidade dos fantasmas
a errância dos bardos
a necessidade dos mendigos
Minha imobilidade é um artifício
A todo tempo oscilo
entre a inércia do meu corpo
e a fluidez do rio que abrigo
sexta-feira, 31 de outubro de 2014
A bruxa
La bruja, Cildo Meireles
Era tão brando ser bardo
antes da bruxa
Tão fácil memorar breves desígnios
e olhar-se no espelho junto com as bolhas
de sabão
e azul como elas dispersar-se
Havia um certo cuidado
uma sutileza compondo o rosto
As faces em tempo de estio e ensolaradas
as faces assim avarandadas
dóceis aos ventos e aos nadas
Era tão brando ser bruxa
antes do bardo
catar morcegos mortos e ervas malditas
e fazer o mal sem que nenhum arco se quebrasse
Sentir as febres, dormir sob o gume da faca
era tão fácil a maldade sem a arte
Mas tu não sabes, meu amigo,
a flor escura
de agora ser tão bardo e bruxa ao mesmo tempo
E sendo bardo querer cantar os dias
e sendo bruxa odiar o próprio canto
Era tão brando ser bardo
antes da bruxa
Tão fácil memorar breves desígnios
e olhar-se no espelho junto com as bolhas
de sabão
e azul como elas dispersar-se
Havia um certo cuidado
uma sutileza compondo o rosto
As faces em tempo de estio e ensolaradas
as faces assim avarandadas
dóceis aos ventos e aos nadas
Era tão brando ser bruxa
antes do bardo
catar morcegos mortos e ervas malditas
e fazer o mal sem que nenhum arco se quebrasse
Sentir as febres, dormir sob o gume da faca
era tão fácil a maldade sem a arte
Mas tu não sabes, meu amigo,
a flor escura
de agora ser tão bardo e bruxa ao mesmo tempo
E sendo bardo querer cantar os dias
e sendo bruxa odiar o próprio canto
quarta-feira, 8 de outubro de 2014
Alcíone
Renata Dorea
Ando à procura de um espelho
que te traga
de alguém que anuncie tua chegada
um presságio, um aviso
alguma mensagem que se abre
com navalha
Se ao menos eu sonhasse
se tua imagem me desafiasse
e me seguisse
se houvesse uma urna, uma ilha
uma prisão qualquer onde estivesse retida
Se as aves te anunciassem
se tivesses um anel
se deixasses uma pista
Mas não há nada, nada
só meu silêncio
em busca de teu nome
e deuses marinhos me turvando a vista
Ando à procura de um espelho
que te traga
de alguém que anuncie tua chegada
um presságio, um aviso
alguma mensagem que se abre
com navalha
Se ao menos eu sonhasse
se tua imagem me desafiasse
e me seguisse
se houvesse uma urna, uma ilha
uma prisão qualquer onde estivesse retida
Se as aves te anunciassem
se tivesses um anel
se deixasses uma pista
Mas não há nada, nada
só meu silêncio
em busca de teu nome
e deuses marinhos me turvando a vista
terça-feira, 30 de setembro de 2014
Dioniso diante de Apolo
Agora que acalmaste meu tornado
e que aceitei tua flecha
sobre a minha carne
Agora que me fecundaste com a medida
e que me deste margens
Agora que pousaste a mão
sobre o meu medo
Vês como as palavras nascem de mim
pausadas
e como tornei-me brisa
ateada sobre o pranto?
Desde que me concedeste tua máscara,
deus solar,
a noite que eu trazia
perdeu o gume terrível
Vem, amigo, vem ver
como, mesmo diante do sangue,
tornamos bela
a dor para esses gregos
e que aceitei tua flecha
sobre a minha carne
Agora que me fecundaste com a medida
e que me deste margens
Agora que pousaste a mão
sobre o meu medo
Vês como as palavras nascem de mim
pausadas
e como tornei-me brisa
ateada sobre o pranto?
Desde que me concedeste tua máscara,
deus solar,
a noite que eu trazia
perdeu o gume terrível
Vem, amigo, vem ver
como, mesmo diante do sangue,
tornamos bela
a dor para esses gregos
sábado, 20 de setembro de 2014
rústicos
cercas de arame farpado sob a chuva
alegria nas pedras do lajedo e nos alpendres
fogueira mítica acesa entre escritos rupestres
meninos e meninas nus dançando ao redor
coice de cavalo, vela acesa dentro da geladeira a gás,
açudes de água morna, cactos, carroças
estávamos todos lá antes da luz elétrica
preparados para perdas e recomeços
alegria nas pedras do lajedo e nos alpendres
fogueira mítica acesa entre escritos rupestres
meninos e meninas nus dançando ao redor
coice de cavalo, vela acesa dentro da geladeira a gás,
açudes de água morna, cactos, carroças
estávamos todos lá antes da luz elétrica
preparados para perdas e recomeços
quinta-feira, 18 de setembro de 2014
nômades tuaregs
estranheza feroz nas cores desse povo
pequenos roubos, hóspedes estrangeiros
noites geladas e escuras
bandos inteiros comendo
arroz puro no deserto
gente querendo fugir para algum outro país
sem perceber que a água estava ali mesmo
era só cavar um poço e encontrar a própria sede
pequenos roubos, hóspedes estrangeiros
noites geladas e escuras
bandos inteiros comendo
arroz puro no deserto
gente querendo fugir para algum outro país
sem perceber que a água estava ali mesmo
era só cavar um poço e encontrar a própria sede
segunda-feira, 15 de setembro de 2014
Memórias de uma puta poeta
Vou-me embora pra Pasárgada
lá sou amiga da rainha
e tenho o homem que quero
na cama que escolherei
sou amiga das medeias, das medusas e das bacantes
Vou-me embora pra Pasárgada
lá as mulheres são livres
tanto as mães quanto as sem filhos
tanto as que amam mulheres
quanto as que amam rapazes
tanto as que amam os dois
lá os musos são de verdade e descem de Marte
para a terra, lá nem amor platônico tem
é tudo mesmo na sacanagem
Vou- me embora pra Pasárgada
lá as putas não são tristes
como as de Gabriel García Marquez
lá maria transa mesmo com o anjo gabriel
e josé assume tudo
lá existem os josés, psicanalistas e pais incríveis,
vou me embora pra Pasárgada
lá sou amante até da rainha
e posso voar de parapente
me desculpem Manuel Bandeira e Gabriel García Marquez
adoro ler vocês
mas amo mesmo é essa nova Pasárgada que inventei
lá sou amiga da rainha
e tenho o homem que quero
na cama que escolherei
sou amiga das medeias, das medusas e das bacantes
Vou-me embora pra Pasárgada
lá as mulheres são livres
tanto as mães quanto as sem filhos
tanto as que amam mulheres
quanto as que amam rapazes
tanto as que amam os dois
lá os musos são de verdade e descem de Marte
para a terra, lá nem amor platônico tem
é tudo mesmo na sacanagem
Vou- me embora pra Pasárgada
lá as putas não são tristes
como as de Gabriel García Marquez
lá maria transa mesmo com o anjo gabriel
e josé assume tudo
lá existem os josés, psicanalistas e pais incríveis,
vou me embora pra Pasárgada
lá sou amante até da rainha
e posso voar de parapente
me desculpem Manuel Bandeira e Gabriel García Marquez
adoro ler vocês
mas amo mesmo é essa nova Pasárgada que inventei
Um poema de Manuel Bandeira
Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada
Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconseqüente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive
Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconseqüente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive
E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d'água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d'água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada
Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar
E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
— Lá sou amigo do rei —
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada.
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
— Lá sou amigo do rei —
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada.
terça-feira, 9 de setembro de 2014
segunda-feira, 8 de setembro de 2014
Desenhos e teletransportes
eram cidades costeiras
mas seus habitantes nem precisavam de mar
podiam ir com navios inventados
fictícios barcos
eram cidades costeiras, costumeiras
de maresia e brisa
trilhas, rios, portos rascunhados
e seus moradores sonhavam
e iam assim a todo lugar
mas seus habitantes nem precisavam de mar
podiam ir com navios inventados
fictícios barcos
eram cidades costeiras, costumeiras
de maresia e brisa
trilhas, rios, portos rascunhados
e seus moradores sonhavam
e iam assim a todo lugar
domingo, 7 de setembro de 2014
Ouro Preto em chamas
abrigar-se nessa briga
entre pedaços e cacos
de telhas, janelas, vidraças
desabrigar-se nessa casa imensa
cremada, incendiada
sem voz nem gente
madeiras ardendo
pedras preciosas perdidas
bombeiros vieram de Mariana e BH
movidos a terra, água, fogo e ar
fogueira imensa acesa na praça
dores, mágoas,
escravos, escravas, correntes,
crimes, senhores,
senhoras, perversidades
maldades,
vidas passadas
há séculos
almas queimadas
em labaredas altas
(em memória do incêndio de 2003 no Casarão do Pilão)
sábado, 6 de setembro de 2014
Loja de Mulheres
labirinto que sigo nessa cidade
plena de tantas outras
tecidos e mais tecidos entrelaçados
becos, mercados
lojas de chapéus, botas, saias, brechós
O meu desejo de ancorar ali
na vitrine como um manequim
e esperar por todos os que passam
amá-los todos disfarçada
nesse corpo de medusa sem cabeça nem braços
nesse vestido exposto com seu preço
metade estátua, metade mulher
metade blusa, metade sandália
sou essa fêmea de acrílico lírico na calçada
plena de tantas outras
tecidos e mais tecidos entrelaçados
becos, mercados
lojas de chapéus, botas, saias, brechós
O meu desejo de ancorar ali
na vitrine como um manequim
e esperar por todos os que passam
amá-los todos disfarçada
nesse corpo de medusa sem cabeça nem braços
nesse vestido exposto com seu preço
metade estátua, metade mulher
metade blusa, metade sandália
sou essa fêmea de acrílico lírico na calçada
sexta-feira, 5 de setembro de 2014
Escolha
" Derrubando palavras se chega ao silêncio:
à terceira solidão, a escolhida."
Pablo Neruda
Sem filhos viveram
Lota e Bishop
livres, viajantes, soltas
permitidas uma à outra
num amor de poucas
Solidão vivida, inteira, escolhida
moças raras, voos rasantes,
intensas, amantes, revoltas
à terceira solidão, a escolhida."
Pablo Neruda
Sem filhos viveram
Lota e Bishop
livres, viajantes, soltas
permitidas uma à outra
num amor de poucas
Solidão vivida, inteira, escolhida
moças raras, voos rasantes,
intensas, amantes, revoltas
segunda-feira, 1 de setembro de 2014
L'amour entre tours et tous
Invadi seus passos na calçada
entre a liberdade e a calma
no caminho que fiz até você
o que se ilumina é breve, leve
aceita torres como mirantes
não como calabouços
nem quedas nem prisões
mora comigo uma noite só
e vai embora
certo de que o amor não é uma pessoa, não se prende, não é anel nem arame
nem tem nome próprio, nem fome de um único soldado civil ou trapezista
nem muro, nem cerca, nem furo de reportagem, nem filhas, nem família
mas está em toda parte, solto,
raio que vem por dentro e por fora e atinge todos
para além de quaisquer dois e nós,
obsessões, arranhões
e paranoias
não precisa de bagagens nem de escola
aceita ser miragem entre faróis, ilhas, milhas
mil vezes sem dor quando decola, não cola, descola
sem amarrações, não gruda, não controla
amor: miragem e saudade entre antenas parabólicas
astros, satélites, cartas de tarot, rainha de copas
jogo, fogo: onde pouco já é muito
e onde às vezes muito é muito pouco
entre a liberdade e a calma
no caminho que fiz até você
o que se ilumina é breve, leve
aceita torres como mirantes
não como calabouços
nem quedas nem prisões
mora comigo uma noite só
e vai embora
certo de que o amor não é uma pessoa, não se prende, não é anel nem arame
nem tem nome próprio, nem fome de um único soldado civil ou trapezista
nem muro, nem cerca, nem furo de reportagem, nem filhas, nem família
mas está em toda parte, solto,
raio que vem por dentro e por fora e atinge todos
para além de quaisquer dois e nós,
obsessões, arranhões
e paranoias
não precisa de bagagens nem de escola
aceita ser miragem entre faróis, ilhas, milhas
mil vezes sem dor quando decola, não cola, descola
sem amarrações, não gruda, não controla
amor: miragem e saudade entre antenas parabólicas
astros, satélites, cartas de tarot, rainha de copas
jogo, fogo: onde pouco já é muito
e onde às vezes muito é muito pouco
domingo, 31 de agosto de 2014
sábado, 30 de agosto de 2014
sexta-feira, 29 de agosto de 2014
Blue Moon
Roberto Carlos, é o seguinte:
você está salvo
agora sou eu que preciso me salvar
passo a tarde inteira ouvindo
esse programa Roberto Carlos Especial
na rádio Nordeste
Se eu não ficar em casa,
saio na rua e beijo a Ribeira inteira
homem, mulher, esposa, rameira
todas as criaturas humanas e desumanas
pedra, carvalho, fogueira, geleira, geladeira
fico pedindo para a lua
desce, desce, desce
Eu sou da terra
e só na terra me sinto bem
sei que garota igual a você
na lua não tem
você está salvo
agora sou eu que preciso me salvar
passo a tarde inteira ouvindo
esse programa Roberto Carlos Especial
na rádio Nordeste
Se eu não ficar em casa,
saio na rua e beijo a Ribeira inteira
homem, mulher, esposa, rameira
todas as criaturas humanas e desumanas
pedra, carvalho, fogueira, geleira, geladeira
fico pedindo para a lua
desce, desce, desce
Eu sou da terra
e só na terra me sinto bem
sei que garota igual a você
na lua não tem
quinta-feira, 21 de agosto de 2014
New Game: Afrodite virou prostituta de jornal
Verso é enigma
nada tem de descarado
nada tem de fácil
nem de geográfico
é esfinge, é mito
nele posso ser puta, vadia
bruta e real
cada programa mil reais
com o direito a tudo que sei
e não sei há dez mil anos atrás
encontro loucos, doidos, degradados
degenerados, homens, mulheres, travestis
não faço distinção de idade
sexo, carruagem ou carroça
com o verso: pluma, nuvem, incêndio e gás
se goza muito mais
nada tem de descarado
nada tem de fácil
nem de geográfico
é esfinge, é mito
nele posso ser puta, vadia
bruta e real
cada programa mil reais
com o direito a tudo que sei
e não sei há dez mil anos atrás
encontro loucos, doidos, degradados
degenerados, homens, mulheres, travestis
não faço distinção de idade
sexo, carruagem ou carroça
com o verso: pluma, nuvem, incêndio e gás
se goza muito mais
domingo, 17 de agosto de 2014
"Desencanto"
" Três metamorfoses, nomeio-vos, do espírito: como o espírito se torna camelo e o camelo, leão e o leão, por fim, criança. " Assim Falou Zaratustra. Friedrich Nietzsche
poema dedicado a Manuel Bandeira
Sou uma mulher vulgar
e faço versos como quem fode
sentindo prazer e dores
Eu faço versos como quem cospe
no bicho morto no meio-fio
sentindo nojo sentindo encanto
Eu rezo terços
e chupo lâminas
E faço versos como quem goza
e gozo como quem glosa
poema dedicado a Manuel Bandeira
Sou uma mulher vulgar
e faço versos como quem fode
sentindo prazer e dores
Eu faço versos como quem cospe
no bicho morto no meio-fio
sentindo nojo sentindo encanto
Eu rezo terços
e chupo lâminas
E faço versos como quem goza
e gozo como quem glosa
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