quinta-feira, 20 de março de 2014

Uma tradução de Valéry *

Teus passos, filhos do silêncio,
voltam-se lentos e sagrados
para o leito da minha vigília
passos mudos e gelados

Pessoa pura, sombra divina
como se detêm doces esses passos
Deuses! Todos os dons que adivinho
vêm a mim sobre teus pés nus

Se teus lábios se adiantam
e se preparam
para apaziguar meus pensamentos
com o conforto de um beijo

Digo: não te apresses nesse gesto terno
doçura de ser e não ser
pois eu vivi de te esperar
e meu coração precisa dos teus passos


* Tradução livre a partir do poema “Les pas”( Os passos), de Paul Valéry(1871-1945)

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